sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

eu ando pela casa, feito uma louca,
abrindo e  fechando janelas,
como quem tenta fechar ou abrir qualquer coisa de si.

acho que me esqueci escancarada 

em uma dessas casas velhas onde morei,

morei em tantas, que é difícil dizer...


a paisagem da janela de agora,
são os carros que passam na rodovia...

o caminho é sempre uma incerteza,

é  certo apenas que vão...

sim, estou triste.


e isso não é novidade nenhuma pra mim...


não é nada que eu queira escrever.

tantas coisas são assim,
quietas e vazias de tudo...

e não é pecado algum estar triste.


não sei muito bem por onde anda minha cabeça em dias assim,
acordei imaginando que fosse sexta...

acordei imaginando que fosse outro lugar que não aqui,

outra vida que não esta, sem os carros e a  rodovia.


que bobagem, os carros cortando a rodovia, 

são as únicas coisas que ainda tolero por aqui...

sei que existe pra mim, em algum lugar,

uma casa com um jardim, um cachorro,  

e um amor,

ainda mais sútil e bonito que isso...

mas é certo que sempre pensarei nos carros que cortam a rodovia.

não sei da vida, mais do que essa janela afinal...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

caras como ele...


acontece que caras como ele,
correm
choram
e amam demasiadamente.

e nem sempre são amados de volta.

é uma questão a se pensar,
essa,
de todo homem ser uma ilha...

bobagem, questões a se pensar são outras,
essa, é só um aperto que teima no peito,
enquanto o tempo aposta uma corrida com a tua sanidade...

ah sim,
ele há de ganhar,
ele sempre há de ganhar.

ganhará de de mim e dele também...

ah dele...

caras como ele,
são sempre caras como ele...

há quem espero sentada no sofá,
com a minha xícara de café,
e o meu punhado de versos de amor, meio que decorados...

caras como ele...

não cara,
não há outro como você a quilômetros.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

incomensurável

o tempo vai passando,
constante 

tranquilo.

de que outro modo poderia ele passar?

tranquilo sim.

nós é que somos caóticos,
afobados mesmo, 
e um  tanto neuróticos...

de que outro modo poderíamos ser?

caóticos sim.

penso nas folhas do teu diário,
quantas ainda escreverá,
e em quantas delas eu poderia estar?

penso nas paginas do meu,
bobagem,
nunca tive um.

mas agora penso que deveria tê-lo tido.

guardo memorias,
vivas
e bem vivas, 
dentro das musicas que ouço,
nos livros que se empoeiram na mesa,
nas fotografias,
e nas marcas do que já  foram minhas espinhas... 

fora isso, que tenho eu pra guardar?...

não sei do tempo que me passa ou passou,
não sei de  relógios ou calendários... 

sei que há tempo passando em mim,
mais que isso não sei dele ou de mim.

três anos, ele disse...

é tempo, de certo que é tempo,
é mensurável afinal... 

mas nós não somos mensuráveis.

amor, não é uma grandeza que se possa medir.

somos infinitos nele,
em cada detalhe e instante.

infinitos sim,
infinitos... 
até que nos devore o tempo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

...

poderia ser melhor que esses versos,
sim poderia.

escrever não é tão difícil quanto parece,
qualquer idiota é capaz de juntar letras e formar frases...

mas isso não importa,

isso nunca importa,
principalmente 
quando é você o idiota a juntar palavras.

poderia ser melhor do que sou?

dentre tantas possibilidades do que eu poderia ser,
sou esta,
e nenhuma outra, apenas esta.

com todos os pequenos medos,
incoerências 
e ladainhas,
tão tipicas de mim.

de mim...

não fosse esse meu narcisismo poético,
falaria de coisas além disso.

não fosse esse narcisismo poético,
falaria pra quê?...

ao meu ver, não existe um pra quê além disso... simplesmente não existe.

a meu ver...

grande porcaria o que eu vejo também...

poderia, eu,
idiota 
remediada

confessa,
ser o quê além desses versos?!

poderia ser o quê?...

poderia, 
poderia ser...

não; já o sou.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

tudo o que eu sei, se dissipa por entre meus dedos...

percorro as teclas,

uma a uma,
sou intima dessa sensação de vazio e calmaria.

e isso nem chega a ser importante...


é só a mesma angustia de sempre, 

a conversar com os meus botões,

que de tão meus, já  me costuram a pele e o tédio. 

sou intima e estranha de mim mesma.

meus botões...


só queria algo que me fizesse perder meus botões.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

sobre nada

tenho me perguntando sobre todas essas coisas,

e como resposta, 
tenho apenas recebido um punhado ou dois de outras perguntas... 

a incerteza não me é nada estranha, ao contrário, 
ela já se fez grande amiga das minhas inquietações, janta e dorme todas as noites comigo.

mas me sobe um medo enorme pela garganta,
algo como uma ânsia antecipada,
por uma comida estragada que nem jantei ainda, ou qualquer coisa assim...

metáforas não tem sido o meu forte ultimamente.

não deveria ter do que me queixar,
não, eu não devia me queixar.
vinte e dois anos e um bom e estável emprego.

o problema todo está nessa tal estabilidade...

eu tenho escrito e vivido mal pra caramba,
escrito muito  mais, do que vivido qualquer coisa na verdade,
e bem sei que isso é um erro bem pior que a minha ortografia ruim...


e há sim, eu sei,
problemas maiores mundo a fora,
há sim pessoas mais fodidas, mas muito mais fodidas, do que eu.

e eu certamente as enxergaria se colocasse o meu pezinho pra fora dessa casa...

o pezinho pra fora dessa casa...

no fundo eu sei que bastaria apenas isso,
e talvez um pouco menos, do velho  mi mi mi de sempre.

um pezinho e depois o outro,
é assim, né?

sábado, 26 de janeiro de 2013

navegante

eu continuo aqui, a deriva de mim.

o barco do que sou navega

pelo mar de mim,
e só de mim.

todos os outro  já deixaram o porto,

todos os outros já naufragaram mar a fundo,

todos os outros já navegaram

e afogaram mar e vida.

todos os outros...


eu não.


permaneço aqui a deriva de mim,

e só de mim.

o barco do que fui

me navega,
e afoga.

todos os outros já se foram...


todos os outros já navegaram  tempestade,

todos os outros foram navios piratas, cruzando oceanos.

todos os outro  já deixaram o porto,
todos os outros já naufragaram.

todos os outros já se foram...


todos os outros, não sou eu.

o barco do que sou 

me navega
e apenas navega.

o barco do que sou ...


também já se vai.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

das páginas rasuradas

#4

tenho as paredes da casa,
o teto
e o chão.

tenho as paredes do peito,
o teto 
e chão.

e, é só.
sem móveis ou visitas, ou até mesmo baratas...

o vazio, é mesmo, uma das sensações mais ardentes e patéticas.

tenho me confessado aos meus botões... e até mesmo eles já estão de saco cheio disso.

talvez eu pegue a mochila e dê o fora daqui e de mim.

mas dar o fora não é nada pratico,
e eu tenho me amarrado a uma vidinha muito prática,

sem duvida, que tenho... 

e não é uma questão de baixa autoestima, ou algo do tipo,
mas tenho me sentindo muito mais burra do que o de costume,

e eu sempre fui arrogante demais,
pra não saber que eu sou inteligente pra caramba.

(não me crucifiquem pela falta, de falsa modéstia).

mas todo mundo que eu conheço é inteligente
e bem resolvido pra caramba,

numa boa, acho isso um saco...

e tomara que eu morra mal resolvida...

meus botões terão que aguentar. 

firmes
na camisa!

ah...
e como terão que aguentar.

o teto, o peito
e o chão,
sem móveis ou visitas, mas talvez uma ou duas baratas...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

e arrebente...

é certo e de tão certo,  
que eu sei que vou me envelhecer, 

quietinha no meu canto.


a canção que toca, 

é um silencio grande,

e de tão grande,

pequena eu fico a escutar.

vazia estou

aqui 
e dentro de mim,

mas não há de entristecer,


e tecer-me assim o verso,

vou não,

de tristeza em tristeza, já aborreci.


palavra por palavra,

e lá se vai boa parte do meu peito...

e o tempo...


tanto e tanto tempo...


todo o tempo,

que cabe,
me escorrendo pelo dedo,

e o medo que sobe...


faz de mim,

pouco
ou muito menos.

sei de mim...


pouco ou muito menos...


é certo e de tão certo,  
que vou me envelhecendo,

até que o peito me arrebente.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

25

eu to com uma puta vontade de sair pra ver o sol  nascer,
e não é porque hoje é natal,
e eu to pouco me importando se é natal ou outra porcaria qualquer...

só queria sair e parar na primeira calçada ou ponto de ônibus vazio,
e simplesmente olhar o sol nascendo, a toa e sozinho assim...

mas acontece, que embora ele nasça sozinho,
eu não quero vê-lo assim, sozinha também...

seria deprimente fazer isso...

faz tempo que essas coisas todas perderam o significado pra mim,

e escrever sobre elas já não tem me ajudado em nada.

faz tempo que escrever perdeu o significado também.

mas isso é piada velha pra mim...

o sol nascendo vai ser um espetáculo bonito hoje,
e não porque é natal,
mas porque hoje é hoje, saca?

acho que não, mas não importa se me entendem ou não...

pro inferno com tudo aquilo que vocês entendem,
suas musicas,
filmes,
poesias e poetas...

pro inferno com tudo isso, é clichê e vazio demais pra essa vida.

e pro inferno comigo também
minha musica,
filmes,
e poesias são clichês e vazios demais também, pra essa vida,

a essa hora deve ter meia duzia de calçadas vazias...

que seriam perfeitas pra qualquer um que queira sentar e ver o sol nascer e morrer...

por que não vamos?

sim, por que não vamos?!

há um mundo inteiro queimando lá fora,
em peitos inflamados de paixão,
dor e vida,

sobre tudo vida!

por que não vamos?

qualquer calçada serviria, eu sei que sim!

nossa vida inflamando ao nascer do sol...

nós,
apenas mais vivos,
sentados sozinhos em qualquer calçada...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

se queres o abismo de si,
por que não saltas?

há uma escalada nem tão longa,
nem tão curta pelo teu caminho...

vida que te sobe pelo corpo,
entra pelos orifícios
arde e fere,
assopra e beija ferida por ferida.

raros somos todos...

dos pés a cabeça,
te subindo a paixão cega e louca,

te cegando e enlouquecendo.

raros somos todos.

raros somos todos,

ralos somos em todos...

raros somos, pois.

se queres o abismo...

por que não voas? 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

das páginas rasuradas

#3

é tudo vago e muito igual...

é 17 de dezembro de um ano muito idiota,

idiota,
como todos os anos sempre são.

a minha cara cheia de espinhas no espelho

não condiz direito com a minha idade,

e as véspera de envelhece-lo um pouco mais,

meus olhos doem
e meu peito sufoca não sei bem o que.

como poeta que sou,

sei bem de todas essas coisas, e não sei coisa nenhuma...

sei apenas que isso é um saco.


minha sanidade anda meio escassa mesmo esses dias...


tô aqui dando conselhos de como não se isolar,

trancada sozinha em casa..

eu realmente não faço muito sentindo...


e por hoje, chega de mim.


bôra tomar um café e esquecer...


não; não faço sentido mesmo.


que se dane...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

há muitas razões para se apontar o revolver,
e engatilhar,
atirar é apenas a mais objetiva.

há de perder boa parte do teu coração,
antes de encontrar qualquer razão que mereça os batimentos.

há de perder boa parte de você antes disso...

há de se perder, e apenas perder.

há de carregar o revolver,
de si,
apertar o gatilho.

e deixar que te escorra a
                                      v
                                         i  d
                                                a...

e escorra, e escorra...

sábado, 8 de dezembro de 2012

açúcar ou adoçante?

já não consigo escrever,
sem te ter no meio dos borrões dos meus versos.

arrumo a mesa e o café
sem saber se preferes açúcar ou adoçante...

se acaso chegasse, perguntaria...

meu amor, com açúcar ou adoçante?

mas não chega,
e só posso supor, que não saibas também.


é menos amargo te supor assim...

meu amor, sem açúcar ou adoçante.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

é foda é uma máxima que te dispensa de qualquer poesia. 

é foda...

domingo, 2 de dezembro de 2012

tomando um cafezinho ruim com a dona vida,
enquanto ela vai trancando os meus cigarros pouco a pouco,

eu penso aonde foi que eu me meti...


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

o café na caneca esquecida no canto,
esfriou,

e eu que me esqueci no canto,
esfrie.

o cigarro que me aquece os lábios,
me apaga 
dor
e peito.

e as letras e s c
                    o
                   r
                      r
                    e
                         m   e    c o r re m  de um canto a outro do corpo
                                                         no vão do
                                                                      meu peito ao
                                                                                        chão.

ao chão de mim  
ficam 
os versos,
e as cinzas de cigarros e dias mal tragados...

ao chão de mim,
fica a cinza da cinza,

hora em hora...

o café frio,
e caneca esquecida...

e eu ao lado da caneca, esquecida no canto,
ao chão 

de mim.

ardendo
só,
nos goles frios de café,  nos vãos do peito, ao chão da vida...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

das páginas rasuradas

#2

a tarde vazia,

e esse sol que me entra insosso pelas janelas entreabertas,

ora aquece, ora aborrece.

e o peito entreaberto,
que ora aquece, 
quase sempre só me aborrece, insosso...

não há abraço que eu queira apertar.

não há janela que eu precise abrir em mim.

está tudo escancarado e queimado de sol...

e eu pálida de vida, queimada de versos.

me acostumei a isso.

me acostumei a muita coisa que não deveria,

a casa vazia,
aos pratos sujos na pia,
a caneca de café sozinha na mesa,
ao cheiro do cigarro na ponta dos dedos...

e tantas outras coisas idiotas assim.

solto calmamente  a fumaça do cigarro sozinha no banheiro,
e de porta aberta.

me acostumei a isso também...

mas sabe, gosto mais de solidão do que  de abraços, café ou de  batata frita, tem dias...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

das páginas rasuradas

#1

não espero te encontrar nas cenas dos filmes,
ou em qualquer página de livro, 
qualquer música,
qualquer esquina... não espero te encontrar.

apenas não espero te encontrar.

a vida é um desencontro muito maior que eu e você.

e eu espero apenas os desencontros,
e os tropeções pela calçada.

o barulho dos carros cortando a chuva,
meus pés cortando a água e os próprios passos...

meus pés cortando e cortando,

o caminho que hei de seguir, é um desencontro de chão e tempo.

é sempre um desencontro...

e não espero me encontrar nas cenas dos filmes,
nas paginas dos livros,
nos versos ou nas esquinas... não espero me encontrar.

espero apenas um eterno desencontro,
entre o que fiz de mim,
e o que nunca farei.

o que fiz de mim, é isso.
é o agora, e é também o antes e o depois.

e o que eu nunca farei,
desfazendo estou 
nesse agora,
nesse depois e naquele antes e adiante,

... adiante no encontro do acaso e do tempo.

falta ou sobra tanto tempo pra encontrar em nós...

a vida é pouco mais que isso:
um desencontro numa folha rasurada.

que se rasguem.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

a tristeza é uma filha da puta...

que me faz levantar da cama no meio da noite,
e ascender todas as luzes da casa,
pra livrar o medo dela, do escuro que enche esses cômodos vazios.

a tristeza é uma filha da puta,
que me faz fumar muito  mais do que eu deveria,

e viver muito menos do que gostaria.

a tristeza é uma filha da puta,
me sussurrando palavrões e rindo da minha cara, 

quando eu não consigo dormir ou falar nada além dessa poesia rala e estupida...

é uma filha da da puta,
me esvaziando a alma e o choro,

é uma filha da puta, apenas uma filha da puta... sorria pra ela.