domingo, 14 de outubro de 2012

os dois últimos cigarros no maço,
me queimam, no que eu ainda hei de tragar de solidão...

rodopiamos todos,
tontos,
e meio ocos,
ao rés do mundo...

não há o que se possa fazer.
se não rodar e rodar,
cair,
levantar,
e rodar e rodar outra vez.

a vida é um quase nada
muito cheio
e muito oco

o que somos nós?...

muitos cheios,
e muitos ocos...

apaixonados e carentes, de nós mesmos.

os dois últimos cigarros no meu maço,
me esvaziam,
no que ainda hei de queimar e tragar 
de mim...

a vida é um quase nada,
muito cheio
e muito oco,

queima e me apaga, a noite e o verso.

me traga os cigarros e o peito.

Um comentário:

  1. Acho que você pode gostar de T.S. Eliot.

    A dualidade.
    Muito bom seu poema.

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